
Descobri que o tenho, que nutro-o dentro de mim. Mas é um medo diferente. Ele me esfria a espinha, me faz tremer pernas, não ter voz para falar.
Não é medo de andar de bicicleta, de altura ou de primeiro beijo. Esse é mais profundo. Esse me atinge mais. Tenho medo de não amar.
Assistir a filmes, ler livros, ver novelas ou mesmo comerciais de TV. Sem contar nos casais recém formados com quem cruzo todos os dias enquanto distribuem sorrisos, ou dos velhinhos apaixonados, que mesmo depois de tanto tempo, não deixaram de se amar.
É disso que tenho medo. De não ter quem me abrace num dia frio, ou brigue comigo por ciúme. Medo de não ter em quem pensar antes de dormir, ou quem me ligue num momento inesperado, só pra que me diga bobagens.
Medo de não me apaixonar como em filmes hollywoodianos, onde basta um olhar pra que tudo aconteça. Medo de não esbarrar em alguém que me derrube os papéis, me mostrando o amor assim que me olha nos olhos.
Medo de não me apaixonar pelo cara que mais odeio, e que um dia me mostrará o quão me fará feliz. Medo de não me apaixonar pelo bonitão da escola, que se interessará por ''alguém como eu''.
Diferente da maioria das pessoas, eu tenho medo de não amar. De não ter por quem sofrer. Por quem chorar, ouvindo aquela música. De não ter por quem xingar o cara do filme, por ter uma atitude tão idiota quanto.
Medo de não ter quem me espere na saída do colégio, venha até minha casa nos dias de chuva ou enfrente minha família, mesmo sabendo o quão assustadora ela pode ser.
Medo de não ter quem me compre um chocolate só pra ver meu sorriso. De não ter quem me irrite só pra que possamos fazer as pazes.
Tenho medo de não ter quem me ensine o que eu não sei, ou mesmo o que eu já sei, quando fingir não saber.
Tenho medo de não beijar por saudade, de não abraçar por amor, de não andar de mãos dadas apenas pela magia de estar apaixonada.
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